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Hamnet - a vida antes de Hamlet - é uma imersão que transforma

  • há 2 dias
  • 2 min de leitura


Meu primeiro contato com Shakespeare foi na escola, li Romeu e Julieta e Hamlet, já adulta eu nunca mais busquei Shakespeare, e o que tenho na mente dessas obras são o conceito geral, a história de amor proibida que levou os jovens a morrer, e o rapaz que queria vingar a morte de seu pai. Quando assisti Hamnet eu já tinha uma ideia geral do que o filme iria tratar, mas de maneira alguma eu estaria preparada para imersão que o filme te leva. A narrativa vai mostrar quando William (Paul Mescal) conhece Agnes (Jessie Buckley), eles se apaixonam, se casam, tem 3 filhos, e no meio de tudo isso Agnes encoraja William a ir para Londres, por ela ser uma mulher conectada com a natureza, sensível, ela enxerga que é em lá que seu marido precisa ir para continuar sendo ele.


E quando ele está em Londres a família sofre uma tragédia impensável que a morte de seu filho Hamnet (Jacobi Jupe), e a partir disso vamos acompanhar Agnes e William vivendo seu luto de forma muito intensa, cada um do seu jeito, e é por meio da arte que o casal vai se conseguir se conectar novamente. Só que o filme é muito, muito mais que essas ações, ele é de uma fotografia bela, um designer de som que te coloca dentro dos lugares, atuações gigantes, carregadas de sentimentos que nos envolvem, e um roteiro que inteligentemente te arrebata, te leva para um lugar muito particular.



Agnes para mim é a grande protagonista, essa mulher tão conectada com a sua ancestralidade, conhecedora de como usar cada planta, e que consegue passar todo seu entendimento sobre o inexplicável para sua família. É arrebatadora as cenas que estão todos juntos, é algo que transborda a tela, você consegue sentir o quanto eles se amam. E quando chega o momento da tragédia é uma comoção que pega todos, o urro de Agnes me atravessou, não consegui me imaginar perdendo um filho, porque racionalmente isso é inconcebível para qualquer pai ou mãe, e o olhar perdido que ela transmite depois de escancarar sua dor fala sobre isso, como se vive depois disso?


E é exatamente nessa dor que não tem explicação que o casal se perde, William volta para Londres para fugir da dor que ele não sabe lidar, e isso machuca Agnes profundamente, mas a forma como William lida com sentimentos é pela arte, que pode curar, fortalecer, entender e libertar. Eu tinha certeza de que o filme iria me emocionar, mas a atuação de Jessie Buckley foi tão visceral, verdadeira que me atravessou, eu já tinha chorado nas cenas dos partos de Agnes, e ao vê-la passando pela pior dor a alma parece que sai do corpo.


Hamnet é um filme além de Shakespeare, Chloé Zhao (diretora e roteirista) foi certeira e sensível, ela focou em transmitir sentimentos, sensações, e isso envolve inevitavelmente quem assiste, não há como passar ileso por Hamnet, sua base trata de algo universal que é a morte, e faz um paralelo emocionante em como a arte serve como cura.



Nota: Excelente no todo, transforma e atravessa a alma.

Onde Assistir: Aluguel e em alguns cinemas.

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