top of page

Paradise 2° temporada - Dan Fogelman traz sua assinatura dramática, mas finaliza abraçando o sci-fi

  • há 17 horas
  • 3 min de leitura


Não é novidade para ninguém o quanto admiro os trabalhos de Dan Fogelman. Depois de This Is Us, essa admiração só aumentou. Por isso, quando assisti à primeira temporada de Paradise, me surpreendi com a ousadia de Dan ao mergulhar em uma história mais voltada para a ficção científica, envolvendo uma catástrofe climática sem precedentes, mas sem abrir mão daquilo que ele faz de melhor: o desenvolvimento dramático de seus personagens.


A segunda temporada de Paradise começa justamente nesse lugar mais dramático. Conhecemos Anne (Shailene Woodley) desde criança, cuidando da mãe doente, enquanto visita Graceland, a famosa mansão onde Elvis Presley viveu. Essa conexão de Anne com Elvis funciona como uma espécie de fio condutor para avançarmos em sua história até o fatídico dia da catástrofe.



A trama que envolve Anne é arrebatadora. Traz emoção, conexão e algumas surpresas muito bem construídas. Mas, enquanto acompanhamos essa nova história, existe uma pergunta que permanece na cabeça: o que aconteceu com Xavier depois do desfecho da primeira temporada? E é justamente por meio dessas conexões que começamos a encontrar muito daquilo que Dan Fogelman faz de melhor.


A segunda temporada tem oito episódios e, na minha opinião, os seis primeiros são os que mais evidenciam essa assinatura dramática. Temos relacionamentos inesperados, encontros surpreendentes e um arco emocional bastante elevado. Confesso que, ao final de alguns episódios, eu estava chorando ou simplesmente impactada pelas revelações. O elenco que chega nesta temporada também está muito bem, e destaco especialmente Link, interpretado por Thomas Doherty.


O quarto episódio, intitulado “O Carteiro”, foi o que mais me arrebatou. É nele que descobrimos o que aconteceu com Teri (Enuka Okuma) no exato momento da catástrofe. A maneira como o episódio é construído, especialmente a partir do ponto de vista de Gary (Cameron Britton), é impecável. É aquele tipo de episódio que começa causando estranheza, deixando algumas peças aparentemente desconectadas, mas que, quando chega ao desfecho, simplesmente nos deixa sem fôlego.



O mundo fora do bunker, Paradise, também me pareceu mais sólido nesta temporada, principalmente na construção dos perigos climáticos. E foi justamente aí que senti o drama característico de This Is Us ainda mais latente e reconhecível. Dan Fogelman flerta apenas de maneira mínima e tímida com as pessoas ruins que habitam o mundo fora do bunker. Em contrapartida, é extremamente generoso ao mostrar atitudes empáticas, acolhedoras e humanas. Existe quase uma insistência em nos lembrar de que, no final das contas, é isso que deveria prevalecer.


O grande mal, porém, vem de Sinatra (Julianne Nicholson). Na verdade, sua própria mente se torna um perigo real para todos ao seu redor. Dan parte de uma perda pessoal e potencializa esse comportamento por meio de alguém que já é, por natureza, uma pessoa bilionária, influente e sem escrúpulos. E talvez seja justamente essa combinação que torne Sinatra tão perigosa.


O passado de Jane (Nicole Brydon Bloom) me pareceu um pouco confuso quando foi apresentado. Aos poucos, porém, percebemos sua importância para o desenvolvimento da história. Ele estabelece uma ligação perfeita com a verdadeira caixa de Pandora que Dan Fogelman abriu nesta temporada — e que, ao que tudo indica, deverá ser um dos grandes motes da próxima.


Agora, a questão não é apenas sobreviver. É saber quem terá o controle do mundo — se é que esse controle já não foi perdido. Computação quântica, linhas temporais e possibilidades que podem alterar completamente aquilo que entendemos como realidade entram em cena. E, a partir daí, Paradise pode tomar um rumo bastante inesperado.

O grande ganho, para mim, nesta segunda temporada está justamente nos episódios mais dramáticos. Mesmo que os dois últimos capítulos estejam muito mais preocupados em preparar o terreno para aquilo que virá daqui para frente, Paradise cumpre sua missão de maneira honrosa.


É uma grande série para quem gosta de se emocionar, mas também para quem gosta de ficção científica e distopia. E talvez seu maior mérito esteja justamente nisso: Paradise consegue falar sobre um futuro aparentemente impossível enquanto nos faz refletir sobre o presente, porque, no fim das contas, tudo parece assustadoramente próximo demais.



Nota: Excelente, mais drama e muitas surpresas.

Onde Assistir: Disney+

 

Comentários


bottom of page