Babygirl - o prazer feminino segue escondido, marginalizado e irrelevante

Falar de prazer feminino ainda causa reboliços em qualquer esfera, mulheres falando sobre seus desejos ainda são estereotipadas, agora imagina assistir uma mulher que encontra seu prazer na submissão, e que está num lugar de alta liderança e controle?
E essa mulher está representada pela maravilhosa Nicole Kidman (Romy) que é uma CEO e fundadora de uma empresa em ascensão, casada a 19 anos com Jacob (Antonio Banderas), mãe de 2 meninas, e parece que vive uma vida muito satisfatória, mas na primeira cena do filme já somos surpreendidos quando depois de transar com seu marido, Romy precisa assistir a cenas pornôs para alcançar seu prazer.
Neste dia ela está indo para o escritório quando avista Samuel (Harris Dickinson) controlando um cachorro que estava avançando nas pessoas, e esse controle sobre o animal chama a atenção de Romy. Depois ela descobre que Samuel está começando como estagiário na sua empresa, e ela será sua mentora, a partir deste momento ela inicia um caso extraconjugal com esse jovem, e que vai evidenciar como essa mulher sente o prazer, o que ela procura, tudo que ficou escondido, como se fosse quase criminoso agora ela pode realizar, entretanto isso implicará em outras relações na sua vida.

A diretora e roteirista Halina Reijn acerta e muito quando mostra as cenas eróticas, mas nada é explícito, sabemos o que está ali, mas o close é nos movimentos, nos rostos, o olhar, e foi extremamente corajosa em mostrar a mulher poderosa querendo a submissão e dominação para seu prazer. Tem 2 cenas que me chamaram muito atenção uma é quando Romy tenta dizer a Jacob que gostaria de assistir algo erótico, mas faz isso escondendo seu rosto, ela divide a vida com esse homem tem quase 2 décadas e mesmo assim ainda se envergonha de falar aquilo que lhe excita? O outro momento é quando ela tenta beijar Samuel, e ele se esquiva, e essa recusa é a definição de que ele sabe exatamente o que ela busca, não há necessidade de fingimento, tudo está muito bem definido entre eles.
O desfecho do filme é aberto para quem assiste, eu achei o final triste, me deu a nítida sensação de que ela se andou em círculos e voltou ao início, mas Babygirl é um filme didático para os homens, e revelador para as mulheres.
Nota: Bom, ousado e melancólico.
Onde Assistir: Prime Video




Comentários