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Livro: Quando, Carla Madeira - Carla precisava escrever, e nós, leitores saímos melhores dessa leitura

há 21 horas
2 min de leitura

 



Nos agradecimentos de Quando, Carla nos diz que escreveu entre o fôlego e a falta de ar. Em 1º de setembro, nos dez minutos iniciais do mês, finalizo Quando entre o atravessamento, a admiração e a constatação de que Viridiana, Tito, Margarida, Valquíria, Maria, Nino e Fran estão em mim e nos meus.


Ao começar a leitura de Quando  eu estava curiosa pela premissa divulgada, uma mãe que denuncia o próprio filho a polícia, e que 20 anos depois está a espera desse reencontro, e o que fica na mente é você saber o que aconteceu com eles? O que faz uma mãe denunciar? O que se passou nesses 20 anos sem eles se encontrarem?


A forma não usual com que Carla escreve em Quando, porém, e a atenção que o livro exige fizeram com que, em muitos momentos, eu não quisesse saber o motivo, o entorno, o presente. Essas pessoas já eram maiores do que o porquê. Viridiana é muitas, e isso está literalmente no livro. Mas ela já era muitas desde o primeiro capítulo. A forma provocativa que Carla imprime em Quando me tirou do lugar comum. É um sacolejo necessário e sem volta.


O ato principal de Viridiana não é a denúncia. Está antes dela. Você enxerga e sente o antes.

Os temas como homofobia, violência e machismo são retratados não apenas no ato da denúncia de Viridiana. Eles acontecem no dia a dia, no cotidiano, e isso, infelizmente, não é apenas uma licença poética. Mais uma vez, fui convidada à imersão, sem contenção ou contestação. E é isso que sempre me move nas histórias que Carla escreve. Ela faz jorrar.


Quando já tinha me ganhado antes de chegar até mim. Mas, ao finalizá-lo nos primeiros minutos de setembro, meu mês (virginiana com orgulho), por sinal, fui movida, porque a literatura faz isso. Carla, é sempre um prazer ler e reler tudo o que você escreve. E, mesmo você não querendo os grifos, aqui eu iniciei a leitura sem medo de grifar — marca-texto roxo. Isso me faz engolir e saciar suas palavras.


Essa necessidade veio quando você disse: “Viridiana sorri”. Fui questionada se, ao grifar, não estaria estragando o livro. Ri. E entendi que era o exato oposto: eu estava me fundindo ao livro. Esse desejo é inadiável. E está ligado ao sonho de que, quando Helena - minha filha, for ler, ela me ache junto com suas palavras também.



Nota: Arrebatador e necessário.

Editora: Record




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